sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A história de uma jacaré

Certa vez conheci uma jacaré. Ela adorava sorrisos, pessoas, comida, doces e principalmente alegria. Ela tinha um jeito meio estranho de falar as coisas, um pouco confusa em relação a demonstrar sentimentos. "Toca o machado" era uma simples maneira dessa jacaré falar eu te amo ou de mostrar sua preocupação. Essa jacaré nunca aprendeu a ler ou escrever, mas sabia contar histórias como ninguém. Sempre se preocupava com suas crias e as crias de suas crias.

Conheci essa tal de jacaré muito nova, na verdade conheci quando eu nasci. As idas na sua toca, sempre eram os melhores passeios. Banho na bacia, doce de abobora, canjica, arroz doce e colo! Muito colo! Quando conheci essa jacaré, ela já não estava mais na sua mocidade, muito menos em seu melhor estado de saúde. Mas mesmo assim, continuava sempre alegre, sorrindo e feliz, por conseguir fazer as pessoas ao seu redor serem felizes, nem que fosse apenas por alguns momentos.

O tempo passou, e muita coisa mudou, suas crias se afastaram e eu fui para longe da linda jacaré. Não que eu amasse menos, ou por alguma desavença. Como eu ainda era pequena, não poderia escolher. E mais uma vez o tempo passou, tempos difíceis vieram. Intrigas, mexericos, falta de dinheiro e rancor. Vários fatores ajudarem para aumentar a fragilidade da tão adorada jacaré. Os doces não alegravam mais, as risadas já não eram mais animadas, a vida já não tinha tanta graça.

Mas, como uma boa história tudo melhorou! eu voltei para perto da família da senhora jacaré. E para aumentar o clã nasceu mais um Jacarezinho, ou melhor dizendo, um vulcãozinho. E a dona jacaré voltou um pouco com a sua tão amada alegria! Mas a protagonista desta história já não estava bem de saúde, e seu estado clinico era irreversível. Um pedaço de sua alegria, os doces, fez com que ela deixassem as pessoas que a amavam aos poucos.

A dona Jacaré sempre me pediu para que eu fosse visita-la, mas pensando no meu futuro, sempre deixava as visitas para depois. Peço desculpas hoje por todo tempo que eu podia ter ido visita-la e não fui. Mas quero que saiba, onde estiver, que sempre amei e sempre amarei a unica e sempre alegre jacaré!

Vó Gorda, te amo pra sempre... espero que mesmo longe você saiba disso!